terça-feira, 2 de abril de 2013

RELATÓRIO DE ESTAGIO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA EM 2012

FACULDADE DE CIENCIAS SOCIAIS DE GUARANTA DO NORTE CURSO DE PÓS-GRDUAÇÃO: ESPECIALIZAÇÃO RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PSICOPEDAGOGIA Guarantã do Norte 2012 Edinei Maria Andrade Francisca Ribeiro do Carmo Luzia Siva RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PSICOPEDAGOGIA Relatório de Estágio supervisionado apresentado como requisito parcial à conclusão do Curso de Psicopedagogia, da Faculdade de Ciências Sociais de Guarantã do Norte,sob orientação da Professora Maria Alda Antonelli Guarantã do Norte Introdução O presente relatório apresenta uma pesquisa de campo do estágio institucional em Psicopedagogia, realizado em uma Instituição de Ensino fundamental, localizada em Guarantã do Norte no espaço da referida instituição de ensino, Inicialmente traz a fundamentação teórica da Psicopedagogia Institucional, o histórico e as concepções epistemológicas. A indisciplina nas escolas tem sido sem dúvida, uma das maiores preocupações existentes entre os educadores em todo o brasil. Segundo pesquisa pedagógicas têm  demonstrado o quanto se perde tempo em sala de aula com alunos indisciplinados. O mais importante é descobrir onde e como o problema se manifesta para então, se encontrar soluções e tentar amenizar o quanto antes a situação. A indisciplina é um problema de graves proporções, prejudicando o ensino e aprendizagem e a construção de uma escola com alta qualidade de ensino. É importante lembrar que o professor é antes de tudo um educador, aquele que tem o papel de não só transmitir conhecimentos, mas facilitar o conhecimento de ideias, valores  e princípios, para então poder formar uma determinada personalidade do educando. O trabalho tem por finalidade conhecer um pouco mais a aplicação teórica e prática da Psicopedagogia aliada à prevenção da indisciplina na escola, bem como buscar um aprofundamento teórico quanto às condições e o trabalho preventivo no âmbito institucional, analisando as especificidades e possibilidades de ação. O estágio Supervisionado de pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional foi realizado na Escola Municipal beija Flor localizada na Rua das Macieiras nº 214 Bairro Novo Horizonte em Guarantã do Norte Mt Cep 78520-000 em 25 de Novembro de 2012 .A escola busca,impulsionar o desenvolvimento Social como estratégia de construção da identidade entre seres humanos, e entre os povos, respeitando as diferenças e rejeitando a discriminação de qualquer natureza. Para tanto, defende valores que visam, à construção da liberdade, da paz, da solidariedade. Tem a ética como principio orientador, de suas atividades e relações compreendendo o compromisso com a justiça social, com a liberdade de criação, com o respeito às diferenças com a igualdade de direitos e com a democracia. Foi elaborada a seguinte pergunta para a Diretora e coordenadora: Na visão da diretora qual o maior problema que a escola enfrenta em relação aos alunos? As respostas foram unânimes entre a diretora e coordenadora, ambas afirmaram que o maior problema da escola é a indisciplina com alunos filhos de famílias desestruturadas, alunos que os pais não impõe limites em casa, não participa da vida escolar dos filhos, essa indisciplina já vem trazida de casa para a escola onde dificulta o ensino e aprendizagem dos mesmos Análise dos professores. Foram questionados professores de 3ºano,ao 8ºano do período matutino. Onde foram questionados a formação, tempo de atuação e quais os maiores problemas da escola na opinião dos mesmos; as respostas foram as seguintes: Uma professora com formação em educação física e 1 ano de atuação em sala de aula afirmou que os maiores problemas da escola é a falta de materiais para trabalhar com os alunos, e também há muita falta de interesse dos alunos em querer aprender, que os pais deixam a responsabilidade para os professores. Mas outro professor com formação em biologia esp. em educação ambiental com 26 anos de atuação afirmou também que o maior problema na escola é a falta de materiais para trabalhar com os alunos, local não apropriado e pouca estrutura. Sendo que duas pedagogas uma com 3 anos de atuação e a outra com 20 anos de atuação e um outro professor com formação em matemática e com 22 anos de atuação afirmaram que os maiores problemas da escola é a indisciplina vinda de casa, falta de acompanhamento dos pais, falta de respeito dos alunos para com os professores, alunos filhos de famílias desestruturadas,e também a falta de psicólogos.   Análise dos alunos O questionários respondidos pelos alunos do 3º ao 8º ano do ensino fundamental da escola Municipal beija-flor do período matutino. No geral foram questionados 50 alunos do 3º ao 8º ano do ensino fundamental,a série e ano, foram reprovação e se consideravam alunos indisciplinados e em qual disciplina tinham eles mais dificuldades. Em relação a indisciplina a maioria se consideravam disciplinados, mas quanto a dificuldades na disciplina a maioria tem dificuldade em matemática. Ambos relataram que os alunos precisam respeitar mais as normas da escola, e que os professores precisam ser mais rígidos e agir com mais autonomia em sala de aula fazendo os alunos respeitarem mais, os professores que segundo eles não tem que dar uma segunda chance para o aluno. Relataram também que a sala é muito cheia e o professor não consegue dar atenção a todos os alunos. É preciso a colaboração dos pais quando os filhos estão dando trabalho por isso é importante que os pais e a escola trabalhem jutos. Histórico Psicopedagógico A psicopedagogia chegou ao Brasil na década de 70. Nesta época as dificuldades de aprendizagem eram associadas a uma disfunção neurológica denominada disfunção miníma (DCM) , que virou nesse período, servindo para camuflar problemas sociopedagógicos. A psico foi introduzida no país baseada em modelos médicos e foi assim que se iniciaram ao longo dos anos cursos de formação de especialistas em psicopedagogia na clinica médico pedagógica com duração de dois anos, segundo Bossa ( 2000 ), os primeiros esboços de psicopedagogia aconteceram na França no início do século XIX com a contribuição  da Medicina,Psicologia e Psicanálise, para ação terapêutica em crianças que tinham lentidão ou dificuldades para aprender. Para Rubin stein no ano de ( 1996 ) a Psicopedagogia tem como meta compreender a complexidade dos múltiplos fatores envolvidos nesse processo.   CONSIDERAÇÕES FINAIS A Psicopedagogia Institucional objetiva trabalhar com as questões ligadas à aprendizagem. O caráter principal desta é a prevenção das dificuldades de aprendizagem, sendo que a ação psicopedagógica preventiva está voltada para a instituição, nesse caso, uma instituição de ensino, trabalhando com professores, alunos, pais, equipe diretiva e outros profissionais da instituição, com o objetivo de melhorar as relações de aprendizagem na instituição. O psicopedagogo institucional é aquele profissional que poderá contribuir para o resgate do prazer de ensinar e aprender. Centra seu olhar sobre os grupos, realiza um criterioso diagnóstico e promove intervenções a partir das necessidades dos sujeitos ensinantes e aprendentes. Sua intervenção tem um caráter preventivo e abrangente, tendo como centro de atenções a transformação da Instituição, qualificando os processos de ensinar e aprender. O psicopedagogo tem uma visão ampla e o propósito de que as pessoas tenham qualidade nas suas relações com o conhecimento. É importante que ele entenda as duas abordagens clínica e institucional na sua inter-relação e interdependência. Não basta que tenha somente uma ação preventiva, trabalhando com educadores, quando surgirem processos patológicos individuais. Da mesma forma, não é suficiente que o psicopedagogo intervenha individualmente sem que sua ação se estenda à instituição. A Psicopedagogia compreende o fenômeno educativo como um processo resultante de uma interação e não só relacionado às capacidades individuais de um sujeito aprendente de um lado ou de um sujeito ensinante de outro. A ação psicopedagógica institucional pode contribuir para evitar o fracasso, uma vez que possibilita reflexões, observações e mudanças na Instituição. Essa ação permite ainda à instituição consignificar suas relações de aprendizagem, sua identidade com o conhecimento e o prazer de aprender. Inicialmente tem um olhar para a comunidade para poder saber o que ela pensa, para então pensar no social de uma forma mais ampla. Sabemos que para que um sujeito aprenda é necessário que ele deseje. Para que este desejo se articule é imprescindível que alguém demande isso nele. A demanda, muitas vezes, endereçada ao sujeito não toca o desejo de saber dele. A demanda é o ponto de partida, sendo que o conceito de desejo remete ao conceito de falta. É na posição de um ser em falta que será possível para o sujeito a realização de uma aprendizagem, levando em conta que a falta impulsiona o desejo. A presença do outro é indispensável na constituição do desejo, libertando o sujeito de uma posição de puro objeto à posição de sujeito. Por que os usuários não demonstram o desejo de aprender, percebido em suas atitudes na biblioteca? Que tipo de relações fazem com a realidade e com o objeto de conhecimento? Por que não querem aprender? Como se posicionam os ensinantes (colaboradores) nessa relação de aprendizagem? A intervenção psicopedagógica objetivou o desaparecimento desse sintoma, procurando desenvolver a alegria e o prazer da aprendizagem. O sintoma se origina no sujeito e ocorre um aprisionamento por parte da estrutura desejante, sendo que esse sujeito está inserido em um contexto que cria expectativas e o impulsiona a buscar ou não. Em toda a aprendizagem há certa cota de temor, o qual nem sempre deve ser associado ao medo de mudança, mas como sendo parte do encontro com a responsabilidade que a autoria supõe. O desafio com o encontro do novo faz parte da aprendizagem. O desejo costuma estar vestido com a roupagem do medo e supõe o contato com a carência, com a saída da onipotência. Muitos problemas de aprendizagem têm seu fundo na dificuldade para conectar-se com a própria carência. Ser ensinante é poder fazer o trabalho subjetivo de aceitar que tal como um objeto transicional, a prova de que fomos úteis está em que o aprendente não necessite mais de nós. Esse seria o desejo dos colaboradores da biblioteca em relação aos usuários, percebendo-os com a alegria, e a apropriação do próprio fazer e da autoria. Um bom ensinante não se consegue somente com técnicas ou com cursos. Requer um trabalho constante consigo mesmo para construir uma postura, um posicionamento como aprendente, o qual resultará em modos de ensinar. Um bom ensinante é um bom aprendente. “...Dependerá da criatividade do ensinante a possibilidade de oferecer esse terreno fértil para a agressividade do seu aprendente e para a sua própria, para que possam trabalhar transformando seu meio e a si mesmos...”(FERNÁNDEZ, 1994). Percebeu-se nas observações realizadas que acontece por parte dos colaboradores, em alguns momentos, uma postura que possibilita a utilização da agressividade necessária, porém percebeu-se também que nem sempre há por parte dos usuários, o desejo de utilizá-la, pois constantemente fogem de momentos oferecidos, nos quais deveriam interagir, construir o conhecimento e, assim, tornarem-se autores dessa aprendizagem. Diante disso, os colaboradores também ficam refletindo sobre que postura tomar já que fizeram tudo o que poderiam fazer e o usuário não quer pesquisar, procurar. Como fica o colaborador, o que pensa? Com certeza, em alguns momentos, ele se desestimula diante da recusa do usuário. Foi na análise dessa situação que pensou-se também num formação ao colaborador, no sentido de sensibilizá-lo em relação ao usuário, entendendo-o também. “Repensar a escola á luz da psicopedagogia significa então, realizar a leitura de todo o processo que inclui não só os aspectos didáticos metodológicos, como também as questões relacionais e sócio culturais, privilegiando o ponto de vista de quem ensina e de quem aprende, envolvendo e comprometendo a todos de forma a construir um espaço prazeroso de trocas, onde o conhecimento e aprendizagem tornem-se o centro de tudo.” ESCOTT, 1997, p. 317. Há muitas dificuldades no trabalho do psicopedagogo, devido a todo o contexto em que se dão as relações de aprendizagem e de troca, mas é muito gratificante auxiliar sujeitos no resgate de sua identidade, na autoria de pensamento e, principalmente, perceber que através da intervenção, desperta-se o desejo de aprender naquele que já o tinha adormecido dentro. Esse trabalho foi importante para ambas as estagiárias, na medida em que propiciou vivenciar ambos os papéis de usuário e colaborador da biblioteca e avaliar, na perspectiva de cada um desses sujeitos, como se processam as relações de ensino-aprendizagem. As particularidades inerentes a cada um desses sujeitos foram analisadas visando a isenção necessária a um profissional da psicopedagogia que busca tornar sadia as relações de ensino-aprendizagem. Entretanto, também foi possível perceber um esforço por parte das estagiárias para não permitir que questões subjetivas, inerentes a formação profissional de ambas, bem como seus valores culturais e sociais pudessem comprometer essa isenção, no desenrolar da referida Análise psicopedagógica. As experiências teórico-práticas adquiridas durante esse trabalho ampliaram a visão dessas estagiárias do espaço biblioteca, bem como dos usuários que dela fazem uso, a partir da possibilidade de “encarnar” cada um desses “personagens”. Com certeza, nosso olhar e nossa escuta para esse espaço e para esses sujeitos, contribuem para uma nova postura profissional e pessoal que estaremos levando para nossa vida, privilegiando aspectos como isenção e respeito às diferenças, capazes de nos tornar pessoas e profissionais melhores e mais conscientes de nosso papel na sociedade. Nesse sentido a Psicopedagogia cumpre seu papel de possibilitar/criar espaços para a autonomia/autoria de pensamento e consequente construção do conhecimento. BIBLIOGRAFIA ARGENTI, Patrícia Wolffenbüttel. Fundamentos psicopedagógicos: reflexões sobre alguns saberes básicos. In: ESCOTT, Clarice Monteiro; ARGENTI, Patrícia Wolffenbüttel (Orgs.). A formação em Psicopedagogia nas abordagens clínica e institucional: uma construção teórico-prática. Novo Hamburgo: Feevale, 2001, cap. 1, p. 17-35. BOSSA, Nádia. Fracasso Escolar: um olhar psicopedagógico. Porto Alegre: Artmed, 2002. _________. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994. DILEO. A interpretação do desenho infantil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. DOLTO, E. La imagem inconsciente del cuerpo. Buenos Aires: paidós, 1984. ESCOTT, Clarice Monteiro. Psicologia Institucional: do símbolo à prevenção. In: Ciências & Letras, Porto Alegre, FAPA, 1997, v. 20. _________, Clarice; ARGENTI, Patrícia Wolffenbüttel (orgs.) A formação em Psicopedagogia nas abordagens clínica e institucional: uma construção teórico-prática. Novo Hamburgo: Feevale, 2001. FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. GANIM, Fátima; SILVA, Odilon Pereira da. Manual da CDU. Brasília: Briquet de Lemos, 1994. MENDES, Glória M. Siqueira. O desejo de conhecer e o conhecer do desejo: mitos de quem ensina e de quem aprender. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. PAÍN, Sara. Diagnóstico dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. SPIEKER, Vanda apud. Wolffenbittel. A formação em psicopedagogia nas abordagens clínica e institucional: uma construção teórico-prática. Novo